Arquivo de Novembro, 2009

Um por todos e todos por um…

A pedido do anfitrião deste blogue, depois de ter manifestado a minha dificuldade existencial, fui convidado a escrever um pequeno artigo sobre o assunto em questão. Portanto, aqui vai:

Primeiro apresento-me. Chamo-me Aurélien Vieira Lino (o “esquisito” do nome deve-se às minhas origens francesas), sou pianista licenciado em Jazz (sim, já existem licenciaturas para esta gente) e, por consequência, músico e professor. Mas, mais importante que tudo isso, gosto de cinema e acima de tudo adoro a música que o acompanha desde o início. Começando pelas improvisações feitas sobre cinema mudo, passando pela mestria de Bernard Hermann nos filmes de Hitchcock e continuando com a música de Michael Giacchino para o último Pixar, toda a música para cinema tem a sua história e riqueza própria que serviu para elevar a qualidade artística de muitos filmes que marcaram o mundo.

Falando agora do nosso “pequeno” mundo. Em Portugal, como alguns leitores deste blogue certamente sabem, também existe cinema! Infelizmente, a marca que tem deixado no resto do globo tem sido muito reduzida, à semelhança da indústria que o alimenta. Aliás, é um bocado exagerado falarmos em “indústria”. Mas, como em qualquer outra área, do pouco que se faz sobressaem algumas pérolas, das quais até se ouve falar fora da nossa “Jangada de Pedra” como é o caso da “Arena” de João Salaviza. Isto tudo para dizer que somos pequenos mas podemos ser bons! Não precisamos de milhões de euros para fazer um filme decente, não precisamos de ir sempre para fora para encontrar os melhores e trabalhar ao nível dos grandes. Precisamos sim de pessoas com talento que se possam encontrar e transformar em boa arte cinematográfica todas as boas ideias que lhes passam pela mente.

Acabando agora com o meu caso: desde sempre quis ser compositor para cinema (minto! comecei por querer compor para jogos de vídeo, entretanto passou-me, mas nunca se sabe…), decidi primeiro estudar e dominar um pouco a arte dos sons. Agora, quero finalmente trabalhar com realizadores para além de investir também na música para publicidade e deparo-me com um deserto de redes de contacto. Falei com escolas de cinema, estive em festivais, mas continua a ser quase impossível arranjar um pequeno endereço de email. Felizmente, blogues como este permitem centralizar alguma informação e dar a conhecer muitas obras “perdidas” pela sua não divulgação e pouca projecção. Pergunto aos realizadores destas mesmas obras: Porque tornam tão difícil contactar-vos? De certeza que sou apenas um entre muitos, mas tenho algo para dizer e trazer a este meio. Infelizmente gasto mais energia a tentar encontrar e a abrir uma porta do que a trabalhar nalgo que adoro,  faço com paixão e, espero eu, mestria.  Num pais tão pequeno e com tanto para crescer a entreajuda é fundamental, e as distancias entre nós não deveriam ser tão grandes, de forma a conseguirmos criar um cinema melhor, mais produtivo e sobretudo com mais público. Realizadores e outros artesãos do cinema, por favor, deixem aqui o vosso contacto!

Obrigado,
Aurélien Vieira Lino

Começo eu:

Aurélien Vieira Lino, compositor: www.deepbluesounds.com

Ruas Da Amargura

Ruas Da Amargura, um filme de Rui Simões

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“Ruas da Amargura” – Teve Estreia Nacional no dia 5 de Novembro de 2009

Sinopse:
As Ruas da Amargura são povoadas por homens e mulheres, de todas as idades, com carências afectivas, financeiras, problemas mentais, alcoolismo, toxicodependência, ou simplesmente pessoas que chegaram a Portugal à procura de uma vida um pouco melhor.
Do outro lado das Ruas há um formigueiro de voluntários, assistentes sociais e técnicos diversos que constroem e mantêm estruturas de apoio, uns pensando em dias melhores, outros institucionalizando a ajuda sem acreditar que o fenómeno possa ter cura.

Pássaros

Pássaros, um filme de Filipe Abranches

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A curta-metragem de animação “Pássaros” recebeu o prémio RESTART no IndieLisboa 2009

Sinopse:
Tudo gira em volta de aves. Uma velha, torta e com um nariz em forma de bico, alimenta os seus pássaros no terraço. Na cozinha olha enternecida para a fotografia do filho. Em seguida prepara uma galinha que esquarteja para uma sopa. Senta-se e adormece com a panela ao lume. Lá em baixo no pátio interior, surge o filho. É esguio e sem pescoço como um pinguim. O seu nariz rivaliza com o da mãe. Sobe as escadas e toca à campainha. A velhota recebe-o numa festa. Leva-o para a cozinha onde lhe serve uma canja repleta de miudezas de galinha. Mostra-lhe os pássaros lá fora. São numerosas as gaiolas de todos os feitios e tamanhos. Ele observa atentamente as aves…